quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Quem nunca...?

Daí você decide que quer comprar um carro... Daí você escolhe que quer um Mustang GT-500... Daí você vai a todos os lugares, e a cada esquina vê dezenas de GT-500... Pensa que todo mundo teve a mesma ideia que você... Pensa que "todo mundo tem um, menos eu..."...

Só que, na verdade, todos esses GT-500 sempre estiveram ali... Você não foi o primeiro a querer um... Todo mundo tem um, menos você, porque a maioria teve de correr atrás por muito tempo, e sempre pensavam "todo mundo tem, menos eu... POR ENQUANTO".

***

Na verdade, eu não estou falando de carros... Mas de um sonho muito maior... Estou falando não de algo, mas de alguém. Estou falando de filho(s).

Sabe quando você começa a querer um filho, e parece que, se tentar desviar o pensamento o mundo te atrai de volta pra ele? Então... Na verdade, o mundo sempre foi abarrotado de tanta criança... Com o advento da pós-modernidade, em que o conceito de liberdade ficou ampliado, e a sociedade já não condena, embora ainda julgue, o número de crianças pequenas por km² cresceu exponencialmente... Entre outros motivos, porque as adolescentes ficam grávidas cada vez mais cedo e com maior frequência... (Não vou usar o critério político e dizer que o "Bolsa Família" serviu como incentivo...).

Enfim... Quando começamos a desejar um filho, inconscientemente começamos também evidenciar toda criança à nossa volta, e pensar nas características que podem vir a ter os nossos filhos. Pode ser que passemos a ter preferências por certas características, sejam físicas ou pessoais... Ou, simplesmente ficamos especulando... Imaginando... Sonhando... E, inevitavelmente, de tanto pensar no assunto, pesamos os prós e contras de ter filhos... Pensamos na localização, nos gastos, na segurança, educação, tempo, responsabilidades... Filhos tomam muito de nós. Muitos deixam de lado seus sonhos para criarem seus filhos. Muitos deixam de lado os filhos para correm atrás de seus sonhos. Muitos filhos acontecem "sem querer". Vêm de repente. Alguns, demoram a vir. E neste tempo em que eu vivo, é isto que sinto, algumas vezes.

No meu caso, seria impossível deixar os sonhos para trás para criar um filho, porque o meu sonho é justamente criar e ver crescer meus filhos. Não sei quanto tempo esse mundo ainda dura, ou eu duro nesse mundo. Mas no tempo que eu tiver, gostaria de cumprir esse sonho. Saber se a vida me ensinou o bastante pra que eu seja achado digno de ensinar alguém. Quem foi o salmista que disse "Como flecha na mão do valente, são os filhos. Feliz o homem que tem a sua aljava cheia"?

O sexo é prazeroso. Fazer amor pode ser uma linda declaração. Mas começo a pensar na cópula como meio de reprodução e perpetuação da espécie. Não que minhas prioridades afetivas tenham mudado, ou que minha esposa tenha perdido a importância. Apenas que algo começa a me faltar, e de muito tentar sem sucesso, fico triste. Tenho aquela sensação de que não estou fazendo direito...(Falha do meu temperamento, talvez...?).

Mas sigo a vida... Esperando... Tentando... Seguindo a diante... Mesmo que muitas pessoas passem à frente, despertando aquela "invejazinha", vou aguardando que chegue o meu tempo.

Escrevo uma linha, findo uma página. E que venham os próximos capítulos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Como dizer?

Como se diz a alguém que você não se importa?
Como se diz a alguém que você não quer?
Como se diz que nada é exatamente como se quer?
Como se diz que aquela pessoa querida não vai voltar no próximo natal?
Como se diz "você está errado"?
Como se fazer entender quando você ainda sente mais necessidade de se entender do que ser entendido?

Como dizer?
Do muito que tive, do pouco que sei, nada é verdadeiro. Tudo que chamei de meu não levarei para o outro lado. Nada do que aprendi tem serventia quando a vida acaba.

E antes que tudo termine, vou lamentar sozinho as saudades que carrego, afogar as tristezas nas próprias lágrimas e sorrir mais um dia para o mundo que não me conhece.

domingo, 2 de novembro de 2014

Passado, presente... Outras coisas mais...

Tenho andado distraído... Meio impaciente e até um pouco indeciso... Confesso que ainda estou confuso, mas agora está diferente: estou muito tranquilo e bem contente...

Perdi a noção do tempo, e nunca mais tive notícias de ninguém... Não sei quem chorou, quem sorriu... Sei que alguém casou, sei que alguém recebeu promoções... Mas de ninguém eu sei bastante coisa... E isso me faz perceber que eu nunca fui importante o bastante para que alguém quisesse me mandar notícias... Mas eu não estou preocupado se as pessoas me entendem ou não como sou. Sei que ninguém vê o mundo da mesma forma que eu. Foi por isso que nasci só, e também é por isso que segui só na missão de separar Urano e Gaia.

Mas acho, e só acho, que essa solidão me cai bem... Afinal, é pra isso que servem os poetas: pra seguirem sós!

Quer me acompanhar na minha solidão? Então chega mais, "deixa que digam, que falem, que pensem! Deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem? Eu não tô fazendo nada, você também... É tão bom bater um papo assim, gostoso, com alguém..."

Segue a vida, que a morte nos aguarda! Vamos deixar que espere!

^^

Ah, a vida... Como é estranha...

A vida é estranha algumas vezes... Você se pega pensando, e quando dá por si, já pensou... E tudo de que pode se lembrar, já passou... Não vai voltar...

Mas voltar pra onde? Pra quando? Por que voltar? Você, voltaria para...?

Mas não importa... Você já pensou, e está pensado... Tudo se foi, e é passado... Tudo...

A vida é estranha, algumas vezes... Você se pega imaginando, e quando dá por si, não sabe se gostou de ter imaginado... A imaginação retrata o que queremos... O que tememos... Tudo de mais intenso em cada ser, é carregado na imaginação... E no imaginar, sempre, sem exceção, em excesso ou não, se manifesta... E... E...?

Imaginar quase sempre traz um sentimento poderoso... Mas por não prestarmos atenção, esse sentimento se esvai... Mas imaginar, te faz sentir a dor de não ter o mundo que imagina... Sofrer pelas coisas que talvez nem saiba que deseja... Sorrir pelas coisas que não voltarão... Chorar pelas coisas que ficaram... Imaginar é...

Mas isso importa? Você se importa? Já imaginou...? O que você imaginou?

Quem leu essas linhas e lembrou de algo que ficou, passou, desejou, supôs... Simplesmente o fez porque já imaginou... E nada mais fez do que se iludir... e a realidade voltou.

A vida é muito estranha todo dia... Mas algumas vezes, e não mais que algumas poucas vezes, isso é estranho de verdade... Mas não importa! A vida é o que é. Eu sou o que sou. Mas não sou realmente: Apenas estou. E como já disse uma vez: "Paço!".

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Falei...

Ah! Vida, quem és? De onde vens e para onde vais? Como pode ser que sendo tanto me sinto sem ser...
Como queria saber o que ser para ser algo que faça sentido. Mas vou sentindo, como se não precisasse sentir... Como se não precisasse sentido... Como se não precisasse sentir.

Já tive asas. Essas asas queimavam e ardiam, quando eu não queria sentir. Queimavam todo mínimo sinal de sentimento. E assim eu deixava de ser infeliz... triste... irado...

Agora o que queima é esse corpo. Sinto-me em chamas. Sinto como se todo o meu corpo fosse o que antes eram minhas asas. Sinto como se o que antes ninguém podia ver, ou compreender que existia, agora fosse eu. E talvez o seja. Isso explica por quê ninguém consegue me entender. Como entender aquilo que não podemos ver? Mesmo que a fé possa provar a minha existência, ninguém nunca dirá aos outros do que sou feito.

E no final, sou feito de nada. Os sentimentos e poderes de cada um diz a si o que sou: Sou um homem... menino... poeta... filósofo... nada. Tudo é efêmero. Tudo é vaidade. Tudo é como correr atrás do vento. E eu sou esse vento, que você pode sentir quando passo. E se olhar, nada vê, se não as folhas e a poeira que carrego. Sou o reflexo que você vê no espelho, e cuja esquerda representa a sua direita. Sou como o som do galo que canta ao longe, e mesmo quando você vê o galo, já não sou mais que um eco na lembrança. Sou como o perfume de uma rosa que secou: você se lembra de mim. Você pensa em mim. Mas a imagem que vem a sua memória não é meu rosto... é uma rosa que já não é mais rosa.